Acordo. Respiro. O espelho refletia um rosto amassado de pessoa em estado de desordem interna e externa. Fecho os olhos pra esquecer tudo, mas não consigo. Saio de casa e encontro uma rosa, ali no meu portão. Coisa de filme, né? Bem no seu estilo. Rosa vermelha e uma carta de sete páginas. Se eu fumasse, acenderia um cigarro só pra ver se me acalmava.
Dezenove anos, um metro e sessenta e três de pura inquietação. Esses últimos meses foram complicados. E esse setembro que nunca acaba? Se eu pudesse abrir a cabeça, tirar tudo pra fora e arrumar em gavetas seria mais fácil. Com pastas suspensas e letras em negrito nos títulos que é pra eu não me perder.
E a cada dia eu me fecho mais. E fujo. Não poderia mais suportar tanta, tanta... Tanta o quê? Nem eu sei. Só sei que eu simplesmente me perdi de tudo.
As palavras daquela carta me cortaram fundo, abriram o corte que estava lá quietinho, cicatrizando. Mas você me conhece e sabe o que dizer e como dizer pra me tocar. Essas palavras não adiantam mais, nem os gestos, nem as atitudes. No instante em que olhei em seus olhos e não te vi mais ali, foi nesse momento que você me perdeu e se perdeu.
E se perguntava a todo instante por que eu ajudei tanto sem você me pedir, e quando fui solicitada eu neguei? É que eu só faço aquilo que quero e se me pedir, eu fujo em desespero. É muita responsabilidade.
Mensagens, ligações e palavras perdidas. Eu contive meu movimento. Concentrei-me pra não sentir. Não queria falar. De dentro de mim não sairia mais nada. E se viesse de fora, bem... Eu não acreditaria.