sexta-feira, maio 17, 2013

Hey you!


Foi inesperado e, justamente por ter sido inesperado, foi perfeito. Foi uma sensação estranha, mas foi um “estranhamento” agradável, bom de ser sentido, curtido, apreciado.
Ele, por sua vez, mesmo sem ser convidado, apareceu. Na verdade apareceu umas três ou quatro vezes em épocas diferentes. A grande questão é saber diferenciar todas essas variáveis até chegar naquele dia em que era pra ser. Ou pelo menos o dia que julguei valer a pena me arriscar – de novo. E quando aconteceu, a satisfação de não mais precisar procurar é inigualável. Não me importo muito com créditos, quem encontrou quem. Até prefiro pensar que fui encontrada. Dá pra me sentir premiada, vencedora de uma loteria com cinco continentes e 7 bilhões de possibilidades.

Tudo é muito simples. Simples como passamos do primeiro olhar bêbado em uma festa para a simbiosidade de um casal urbano. Simples como convencê-lo a comer cachorro-quente quase todas as sextas. Simples como deixar a tampa da privada levantada e levar um tapa na nuca por isso. Simples como puxar propositalmente o cobertor durante a madrugada só para levar uma bronca bêbada de sono e, de quebra, tê-lo juntinho de mim devido ao frio. Simples como obrigo ele a passar em frente a uma loja de joias e dizer quais modelos de relógio gostei – quando na verdade ele já decorou os tipos, preços e códigos de todas as alianças da vitrine. É simples assistir a mais um episódio de Ink Master e dormir nos primeiros três minutos no seu colo. É simples sentir sua respiração vagarosa, profunda, calma. É simples ficar observando sua boca entreaberta, seus lábios grossos e deliciosos. Simples como ter a certeza de que, no final do dia, tudo sempre é por ele. Tudo sempre foi por ele.

A perfeição atravessa discretamente profundos olhares secretos, a alma suspira a renovação do corpo, a vida retoma todas as suas formas, o absoluto, simples como amar, simples como dizer eu te amo.

Adaptado do texto de Cleyton Carlos Torres.