quinta-feira, maio 23, 2013

Preconceito

 Eu, que sou branca, de classe média, estudei por toda minha vida em colégio particular, sofri preconceito. As características descritas na frase anterior me fazem melhor do que as outras pessoas? Não. Sofri preconceito quando tive cabelos coloridos (rosa, roxo, azul, etc), por causa das roupas que usava (uma vez saiu um boato na escola que eu era lésbica, só porque eu usava bermudões), por eu ser ovolactovegetariana e agora passei pelo preconceito da tatuagem.
 Não posso me iludir e falar que o preconceito não existe, sim, ele existe e não é somente com pessoas tatuadas. O preconceito existe com qualquer tipo de estereótipo que seja diferente da sociedade brasileira. É justamente por conta que nos dias atuais as pessoas vem mudando, as pessoas vem lutando por causas, mesmo que sejam através do Facebook ou assinaturas pela internet.
 Tenho seis tatuagens pequenas, duas delas são um pouco mais expostas (pulso e dedo). Tenho pensado em fazer uma de tamanho médio, no braço ou na panturrilha. O que ouvi quando falei? Você é doida, vai perder o emprego, as pessoas vão falar de você por aí, porque você quer estragar seu corpo etc.
 Eu gostaria de saber de que forma podemos afirmar que uma pessoa tatuada é menos capacitada que uma pessoa não tatuada? E quem disse que a imagem dessa pessoa é negativa? O Conservadorismo deveria estar ligado ao caráter e não a aparência física. Você não é melhor ou pior por que é diferente.
  Nunca aceite este tipo de desculpas, porque são por causas destas “desculpas” que a coisa vai piorando, até chegar o dia que você vai perder uma vaga de emprego porque tem tatuagem, como se tatuagem por algum motivo mudasse ou alterasse sua qualidade profissional. Não é com desculpas que uma pessoa “se livra do preconceito”, só se acaba com isto, quando realmente a pessoa tiver conhecimento sobre a cultura, estilo de vida aprofundado, porque, você pode apostar, quando você conhece algo, você pode não gostar, mas você respeita, porque existem pessoas que gostam e seguem este estilo de vida, ou cultura.
  Existem pessoas que dizem que, ao fazer uma tatuagem você entra em um grupo 'diferente' e tem que aguentar as pessoas te olhando torto porque você escolheu ser diferente. Queridos, eu não preciso aguentar preconceito de gente que não conheço, eu não fiz tatuagem para estar em um grupo, ou ser identificado, não virei vegetariana para entrar em alguma seita, não pinto meu cabelo de vermelho pra chamar atenção.
 Qualquer pessoa pode ter tatuagem, desde um executivo alto padrão, até um vendedor de loja. Tatuagem não tem perfil, pessoas tatuadas não tem um perfil, a tatuagem é uma arte que representa muitas vezes situações das pessoas e ninguém, mas ninguém mesmo, tem o direito de julgar você, sem ou com tatuagem.
 Tudo que é diferente assusta. Vivemos em uma sociedade aonde para ser aceito todos tem que pensar e agir igualmente aos outros. Eu não concordo e não me encaixo. Mas veja bem: se assustar é totalmente diferente de falar mal, menosprezar, apontar. Você pode me perguntar o porquê de eu ter virado vegetariana, porquê eu tatuei tal coisa ou porquê eu pinto o cabelo de vermelho cereja. Mas não me venha com perguntas carregadas de preconceitos e ironias, pois eu vou te ignorar.
  Então eu decidi não ter medo e entendi que se eu escolher fazer a minha tatuagem em um lugar visível ou não, isso não vai mudar meu caráter muito menos a pessoa que sou.
Querido(a), você que está lendo este texto e tem vontade de fazer uma tatuagem e tem 'medo do que os outros vão pensar', saia agora e vá fazer sua tattoo.

sexta-feira, maio 17, 2013

Hey you!


Foi inesperado e, justamente por ter sido inesperado, foi perfeito. Foi uma sensação estranha, mas foi um “estranhamento” agradável, bom de ser sentido, curtido, apreciado.
Ele, por sua vez, mesmo sem ser convidado, apareceu. Na verdade apareceu umas três ou quatro vezes em épocas diferentes. A grande questão é saber diferenciar todas essas variáveis até chegar naquele dia em que era pra ser. Ou pelo menos o dia que julguei valer a pena me arriscar – de novo. E quando aconteceu, a satisfação de não mais precisar procurar é inigualável. Não me importo muito com créditos, quem encontrou quem. Até prefiro pensar que fui encontrada. Dá pra me sentir premiada, vencedora de uma loteria com cinco continentes e 7 bilhões de possibilidades.

Tudo é muito simples. Simples como passamos do primeiro olhar bêbado em uma festa para a simbiosidade de um casal urbano. Simples como convencê-lo a comer cachorro-quente quase todas as sextas. Simples como deixar a tampa da privada levantada e levar um tapa na nuca por isso. Simples como puxar propositalmente o cobertor durante a madrugada só para levar uma bronca bêbada de sono e, de quebra, tê-lo juntinho de mim devido ao frio. Simples como obrigo ele a passar em frente a uma loja de joias e dizer quais modelos de relógio gostei – quando na verdade ele já decorou os tipos, preços e códigos de todas as alianças da vitrine. É simples assistir a mais um episódio de Ink Master e dormir nos primeiros três minutos no seu colo. É simples sentir sua respiração vagarosa, profunda, calma. É simples ficar observando sua boca entreaberta, seus lábios grossos e deliciosos. Simples como ter a certeza de que, no final do dia, tudo sempre é por ele. Tudo sempre foi por ele.

A perfeição atravessa discretamente profundos olhares secretos, a alma suspira a renovação do corpo, a vida retoma todas as suas formas, o absoluto, simples como amar, simples como dizer eu te amo.

Adaptado do texto de Cleyton Carlos Torres.