Você está livre e
tranquila, passeando pelo shopping, quando o vê. Ele é fascinante, lindo,
você precisa dele naquele momento. “Que sapato perfeito!”, pensa. Aí
já era. Você vai comprá-lo, nem que tenha que pagar em 10x sem juros, porque
você PRECISA TER AQUELE SAPATO.
Depois disso,
experimenta, sente o salto maravilhoso, vê como ele calça bem seus pézinhos e,
encantada, decide levá-lo para casa. Não sente nenhuma dor, acha tudo perfeito.
Sai da loja super feliz.
Mas a maldição começa quando você chega em
casa, colega. Quando vai experimentá-lo pela segunda vez, e vê que aquele
sapato maldito arranha seu calcanhar e aperta seu dedinho, e não importa
o que você faça, sempre vai machucar.
Aí você procura mil
maneiras de deixá-lo mais confortável, todas em vão. Claro que você vai
usar o sapatinho mais vezes, aliás, ele é lindo e você pagou uma fortura por ele.
Utiliza, sempre chorando por dentro e andando torto. Ninguém nunca vai saber as
compressas de gelo que sucederam sua insanidade mesmo…
Daí, após tanta insistência, produtinhos,
milagres e muitas orações à Nossa Senhora do Sapato Apertado, seu pé começa a
entortar, doer e você cria ódio pelo sapatinho. Até que chega o momento em que,
desistente, você limpa seu ex-amor, e o deixa guardadinho no fundo do armário,
vencida pelo cansaço.