terça-feira, janeiro 04, 2011

Dois mil e dez dividido por dois.

Eita ano que me deu dor de cabeça! Mas no final, tudo sempre acaba bem, não é mesmo?

O ano começou tão mal. Vi meu pai adoecer, sentir dor, ir pro hospital a semana inteira, nenhum médico descobria o que ele tinha. Tem coisa pior do que você saber que alguém que você ama muito tá sofrendo e você não pode fazer nada pra ajudar? Não tem. É a pior sensação do mundo. Eu tentei esconder o máximo que pude, mas doía ver ele naquele estado. Chorava toda noite.
Mas eu tinha alguém pra me sustentar, mesmo eu fingindo que tava tudo bem. Eu não lembro quando tudo acabou, mas agradeci por ter terminado.
Fevereiro sempre significou tanto pra mim. Trabalho, namorado, faculdade, família. E eu continuava a esconder de todo mundo. Os meses seguintes foram tão intensos! Quando paro pra pensar, parece que foi outro ano. Dois mil e dez dividido por dois, foi isso. Abril, conseguimos completar um ano no anonimato. Apesar das brigas, foi tudo lindo! A gente sempre foi intenso demais, ou se amava ou se odiava eternamente. Sempre foi assim.
Na metade do ano as coisas mudaram demais. A minha vida deu um giro de 180º e eu me vi perdida. Junho foi um mês filha da puta! Nunca tive um mês tão ruim assim. As coisas foram piorando de todos os lados e eu ali no meio de tudo engolindo o choro e segurando firme no orgulho. Mas tava tudo desmoronando. Quando eu achava que tava melhorando, vinha outro problema. Daí chegou agosto. Agosto demorado que me fez chorar todos os dias excessivamente. Mas Caio Fernando Abreu sempre me alertou sobre esse tal oitavo mês mais arrastado e depressivo do ano. E eu sabia que uma hora ia parar, tinha que parar! Eu não aguentava mais.
E em um sábado sem rumo na madrugada eu encontrei meu anjo. Alguém gritou pra mim: "Hey, ele vai te ajudar aí. Dá uma moral pro cara!". Mas eu não escutei porque a música tava muito alta, ou porque eu tava bêbada demais. Eu que achei que seria só mais um rock, só mais um cara, só mais um dia pra fingir que tava tudo bem. Mas ele insistiu. E sem saber, me ajudou com os milhares de sorrisos enquanto eu tentava segurar a barra do outro lado. Ele sabia que tinha alguma coisa errada, mas nao se atrevia a perguntar. O que eu ia falar? 'Senta aqui, deixa eu te contar a merda que ta acontecendo na minha vida...' Não mesmo! Ele tava ali pra me dar um momento de paz. Era isso que eu sentia. Um alívio. Uma alegria tão gostosa, como se tudo desaparecesse. Mesmo que 15 minutos antes eu tenha recebido 9 mensagens e 13 ligações desesperadas. Setembro me sugou, porém me deu forças pra continuar. Outubro melhorou as coisas e me trouxe umas boas surpresas. Tudo tava entrando nos eixos, amém!
Novembro sempre foi o melhor mês do ano pra mim. Ah, novembro! Se você soubesse o bem que me faz, duraria muito mais. Que mês lindo! Quando vi, eu ja tava com vinte anos, com um namorado novo, reunindo as amigas pra beber e fofocar como nos velhos tempos, acabando o quinto período da faculdade e terminando o inglês. Dezembro voou! Mas voou com toda delicadeza. E eu só tenho que agradecer a todo instante aos meus amigos que tentaram ajudar de todas as formas. Aos rocks da parceria que me faziam ver que eu ainda tinha alegria pra dividir. À ele que me fez intensamente feliz por um ano e três meses, mesmo com mentiras, depressão, doenças, chantagens... Foi só uma história linda com final infeliz. À minha melhor amiga, que apesar de tudo que passamos.. no final sempre fica tudo bem. As meninas e meninos da faculdade que são tão especiais pra mim. Às pessoas loucas e maravilhosas que conheci esse ano num feriado louco entre Costabela e Nova Almeida. À Renata, que mesmo me enchendo o saco o ano inteiro, conseguiu me aturar e ainda me apresentou a pessoa que mudou meu ano. E ao Marcos Fernando, que foi essencial pra mim em todos os sentidos.
E dois mil e onze não vai ser dividido. Nada de hospitais, brigas bobas, problemas intensos, mentiras, n-a-d-a! Vai ser um só, completo e iluminado! Eu sei que vai.