segunda-feira, janeiro 05, 2009

Quando você se vicia em outra pessoa...

O vício é a marca e toda história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria – um explosivo coquetel emocional, talvez, feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa com a obsessão faminta d qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência (sem falar no ressentimento para com o traficante que incentivou você a adquirir seu vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom – apesar de vc saber que ele tem algum escondido em algum lugar, caramba, pq ele antes lhe dava de graça). O estágio seguinte é vc esquelética e tremendo em um canto, sabendo que apenas venderia sua alma ou roubaria seus vizinhos só pra ter aquela coisa mais uma vez que fosse.
Enquanto isso, o objeto da sua adoração agora sente repulsa por você. Ele olha para vc como se vc fosse alguém que ele nunca viu antes, muito menos alguém que um dia amou com uma grande paixão. A ironia é q vc não pode culpá-lo. Quero dizer, olhe bem pra vc! Você está irreconhecível até mesmo aos seus próprios olhos.
Então é isso. Você agora chegou ao ponto final da obsessão amorosa – a completa e implacável desvalorização de si mesma.
Capítulo 5, Págs. 28 e 29 – Comer, Rezar, Amar – Elizabeth Gilbert


Acho que pelo menos 70% das pessoas (incluindo homens, sim! Eles tb passam por isso ¬¬ com menos freqüência que as mulheres, claro) já passaram por isso (e olha que estou sendo generosa!). Nunca me senti dessa forma e nem supliquei um amor por alguém. Já me peguei muitas vezes pensando nisso, por que eu nunca me entreguei de verdade pra alguém? Por que eu nunca entrei de cabeça numa relação, não me deixei levar pelos meus sentimentos?

Essa coisa do texto nunca aconteceu comigo, mais eu já entrei de corpo e alma numa relação. Uma vez. Uma única vez, meu primeiro namorado. Eu me apaixonei e nunca mais aconteceu de novo. Estou sendo sincera! Há quase três anos atrás, eu conheci um cara na internet e criamos um laço muito intenso. Apesar de ele morar no mesmo bairro que eu, nós nunca nos vimos (!). Até que nos encontramos numa festa do bairro e conversamos como bons amigos, nada demais. Eu entrava na internet todos os dias pra falar com ele, eu tinha uma necessidade enorme disso. Depois de uns dias marcamos de nos encontrar, no mesmo lugar que nos conhecemos. Rolou o primeiro beijo. Uma semana depois, no cinema, ele me pediu em namoro.
Três meses depois ele estava na minha casa, pedindo permissão ao meu pai pra namorar comigo. Meu pai deixou, mesmo sendo contra. O que eu senti por ele, nunca mais senti por ninguém. Era tão forte, uma coisa que eu não conseguia controlar. Chegava ao ponto de ficarmos quase 2hr no telefone, só pela necessidade de escutar a voz dele. Em torno de 10 minutos sem falar nada, só escutando a respiração um do outro. Isso parece absurdo, mais parecia legal pra mim.
Três meses mais tarde nós estávamos separados. Por causa do meu pai, claro (e ele teve seus motivos, apesar de ter entendido tudo errado. Até hoje não acredita em mim, não acredita na verdade...). A gente realmente se amava, era como se eu tivesse encontrado minha outra alma. Chegou ao ponto de eu ser trancada em casa e fugir, só pra ver ele por uns minutos. E dói muito lembrar disso, é uma gaveta que estava trancada bem lá no fundo mais eu encontrei a chave e estou aqui retirando as coisas de dentro. O fato de eu ser capaz de escrever calmamente sobre isso hoje é uma grande prova dos poderes de cura do tempo, porque não encarei os fatos muito bem quando estavam acontecendo.
Nós choramos muito, e essa separação doía muito mais em mim do que nele. Porque eu sabia que a culpa era toda minha. Dois meses se passaram e eu consegui ficar longe dele, apesar de ele tentar voltar, eu fui firme. Eu não me lembro muito bem, mais sei que voltamos e depois nos separamos de novo. No dia do meu aniversário, depois de mandar um buquê de flores na escola, eu liguei pra ele e começamos a nos ver novamente.
Nós nos víamos com freqüência, mais alguma coisa tinha mudado. Eu tinha a consciência pesada de estar mentindo pra minha mãe (sim, pq eu só me preocupava com minha mãe. Sentia repulsa pelo meu pai, por tudo que ele me fez passar, por todas as coisas duras que ele me falou e por não ter acreditado em mim).
E ele estava muito possessivo e ciumento. Brigávamos por qualquer coisa. Eu não o reconhecia mais, e já não sentia mais aquele sentimento forte por ele. Então, antes de completarmos um ano de história, nós nos separamos pela última vez. E, acho que doeu mais nele do que em mim. Porque ele passou por tudo que escrevi no primeiro parágrafo (o trecho do livro). Não estou dizendo que não sofri, pelo contrário, até hoje sofro (!).
Nós nunca mais tentamos voltar. Vc está se perguntando: Por que ele não tentou voltar como das últimas vezes? Bem, eu disse pra ele que não o amava mais. Então ele desistiu de tudo.

E foi isso. Depois dele, eu nunca mais consegui me apaixonar de novo. Nunca mais senti esse sentimento forte, essa necessidade de outra pessoa. Só por ele.
Eu me pergunto... Por quê? Eu realmente não sei. Talvez seja o medo de sofrer tudo de novo (só quem tava do meu lado, sabe oq eu passei... ), ou pelo fato de que ele era realmente meu amor e ninguém mais seria depois dele. E eu jurei à ele que amaria ele pra sempre, mesmo longe ele seria o meu amor (será por isso q nunca mais chamei ngm de amor? ;s) .
Parece macumba. Toda vez que estou com alguém, antes de completar dois meses... eu termino (!!) . Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Odeio isso! Sério.
Quando eu vejo q a pessoa ta envolvida demais, ta se apaixonando... Termino! Mesmo que eu goste de estar do lado daquela pessoa, mesmo que eu me sinta bem em seus braços; Não me acho no direito de magoar os sentimentos de ninguém, enganar... Então invento uma desculpa esfarrapada e termino.

Não sei porque escrevi isso aqui. Talvez seja pq eu vi ele com mais freqüência nos últimos seis meses. É, eu encontrei com ele depois de anos. Mais não foi por vontade minha, nem dele. Foi por acaso. Ele estuda na mesma faculdade que eu, é inevitável ver ele pelo menos uma vez na semana. Mas nós nunca nos falamos, nem sequer nos cumprimentamos. Passamos um pelo outro como desconhecidos.
E, com toda essa avalanche de sentimentos que voltaram pra mim depois de anos separados me fizeram ver que não me apaixonei pq nenhum outro cara foi capaz de destruir o muro que eu criei. Quem sabe um dia alguém consiga...

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Ainda bem que ficou grande, assim ngm vai ter coragem de ler!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...


beijo ;*