sexta-feira, julho 17, 2015

A vida dela é torta.

Você sabe a diferença dos seus sorrisos sarcásticos e felizes? Sabe que não deve opinar sobre sua família, nem falar mal dos seus amigos?

A vida dela é torta. Não se esqueça disso. Ela sempre acorda com sono e mau humorada. Sempre.

Pra ela, tudo tem nome de “coisa”. O controle remoto é uma “coisa”. A bolsa é uma “coisa”. O talher é uma “coisa”. Até o cachorro é uma “coisa”. Certa vez, ela disse tô-sentindo-uma-coisa-estranha. Pra mim, era um mau pressentimento. Ou fome. Ou cólica. Sei lá. Era amor. Amor-coisado, ela disse.

Ela é toda sinais. Corta o cabelo quando quer mudar de vida. Mais de cinco centímetros é porque ela quer revolucionar o mundo. Cuidado nesses momentos. As cores das unhas e das lingeries determinam sua libido. Normalmente é vermelho, mas não tem nada haver. É por que ela adora essa cor.

Mas ela também sabe fingir. Vai fingir não se importar, ser forte, ser esperta. Vai fingir até que não precisa de você, mesmo quando ela estiver com trinta e nova de febre e batendo recordes de espirros por segundo. Não ligue. É porque ela não quer que você a encontre com o nariz todo vermelho, tossindo feio e com a garganta inflamada.

Ela bebe e come muito doce quando fica brava. Bebe quando quer, sem ocasiões especiais. Certo dia, saiu do trabalho puta da vida, parou num bar e pediu uma heineken. Ela ama heineken. Mas ela sabe aproveitar um belo achocolatado, também. Vai parecer durona, vez em quando. Mas é menininha, vai por mim. 

Ela não se importará em dividir a conta. Caso você proponha pagar tudo, ela não deixará, mas mesmo assim ficará feliz com a tua atitude. E com o tempo, ela deixará você pagar a conta sozinho às vezes. Muito provavelmente, em alguma quinta-feira qualquer, irá te ligar no meio do expediente só para te passar uma notícia boa e vai dizer que deseja comemorar na pizzaria predileta dela: Don Camaleone. Ela ama comemorar comendo pizza!

Ela vive num eterno questionamento sobre si. Faz besteiras e logo se arrepende. Mas acredita que todo erro existe para o aprendizado. Não a julgue por isso. Nem tente entendê-la.

quinta-feira, julho 16, 2015

A menina cheia de dúvidas

Nunca fui uma pessoa de boa sabedoria em o que fazer da vida. Sei lá. Sempre me deixei ser assim: cheia de dúvidas. Com qual cara sair? Com qual vestido vestir? Calcinha ou sem? Batom ou brilho? Como uma pizza e corro pela manhã ou como salada e durmo até tarde?

Dúvidas normais, vai.

Tenho uma queda em ser estúpida, também. Não sei pedir atenção. Já começo falando e aumento o tom até roubar alguns ouvidos. Odeio que me apressem, que me façam mais perguntas do que um juiz em um tribunal e que reclame de coisas simples, do tipo por-que-você-sempre-deixa-a-calcinha-pendurada-no-box?

Porque eu gosto.

Gosto de muita coisa até mudar de opinião. Quase nunca assumo que mudo de opinião, mas sei assumir meus erros, também. Acontece que quando erro, penso estar fazendo o certo e ao pensar assim não é errado pra mim, entende?

Tô sendo confusa demais?

Nunca fui boa em ser lida. Nunca fui fácil de interpretar. 
Tenho queda à loucura e quando estou amando viro mais porra louca ainda.

Tapo os ouvidos, abro um sorriso e um sigo errante – até eu mesma me consertar.

Por: Hugo Rodrigues.