quinta-feira, janeiro 17, 2013

Thanks for the memories, Apolo ♥


Me lembro como se fosse ontem... 2004, um neném branquinho dos olhos verdes chegou na minha casa. Ele era lindo, sempre foi. Fui brincar com ele e o cachorrinho sem nome correu atrás de mim e mordeu a minha saia rosa. Morri de medo e entrei em casa. Minha mãe chegou com umas vasilhas de cachorros pra água e pra comida, colocou lá pra ele. Em meia hora ele destruiu as duas. Ele adorava morder as coisas. Nesse dia, o primeiro dele lá em casa, ele cansou de tanto brincar e dormiu no meu colo, um bolinho de pelo branco.
 Os meses foram passando e ele ia ficando cada vez maior. Tentamos colocar bários tipos de focinheira nele, ele destruía todas. Não importava se era de couro, de aço... Ele dava um jeito de tirar em no máximo duas horas. Como ele já tava um monstrinho, não conseguíamos segurar ele pra passear... Ele sempre foi criado em casa. Sem esses treinamentos de Pit Bull, ele era um doce. Só queria brincar e correr.  Sempre dormia embaixo da janela do meu quarto, era meu protetor. Se alguém gritasse comigo dentro de casa ele logo latia pra me defender. Depois que fechamos a garagem ele começou a dormir na porta da cozinha. Protegendo todo mundo.
Fugiu de casa duas vezes. Na primeira, meu pai teve que me acordar pra ir atrás dele. Acho que ele só queria conhecer a rua, rs. Não corri. Deixei ele dar a volta na rua e quando ele viu que não tinha nada demais voltou comigo. Sem tapas, nem gritos. Na segunda vez o pedreiro não viu ele se soltando da corrente e fugindo. Passamos o dia todo atrás dele. Encontraram ele bem machucado. Tinha brigado com outro pit Bull. Ele se recuperou, mas já não era o mesmo. Queria fugir de novo, sempre que desse. Quase que um grito de socorro pedindo atenção. Confesso que por dias já fiquei sem ir ver ele e senti que ele andava triste. Passei a conversar mais com ele, dar carinho. No final de 2012 vimos que ele andava quieto, em 3 dias perdeu muitos quilos. Não comia, quase não bebia água e quando o fazia, vomitava. Levamos ele pro veterinário. Disseram que podia ser doença de carrapato. Ele ficou um dia internado e estava melhorando. Voltou pra casa, já comia e estava tomando medicação. Na outra semana abri a porta da cozinha e vi vários pontos pretos e vermelhos no chão. Sabia que era ele. Encontramos um machucado no ‘saco’ dele. Sangrava sem parar. Minha mãe passava pomada, lavava e tentava curar aquele machucado. Era final de ano e nenhum veterinário estava de plantão. Tentamos enrolar uma faixa nele, mas ele arrancava sempre. Ele foi ficando cada vez pior. Levamos em outro veterinário e internaram ele. Duas bolsas de sangue e dois dias internado. Eu estava viajando e quando cheguei no domingo a noite chorei quando vi o sofrimento dele. Acordei na segunda com um choro abafado dele. Fiquei lá conversando e chorando e pedindo para que ele fosse forte e melhorasse logo. Tirei umas fotos com ele, sabia que ele não tinha muito tempo de vida. Nessas horas eu vejo como somos egoístas. Preferimos ver um animal sofrer e estar ali com a gente, do que deixar ele partir e se livrar da dor. Ontem à tarde ele faleceu e ninguém me contou. Cheguei em casa e encontrei tudo lavado, sem os panos dele. Não tinha sangue, não tinha vasilha de comida, não tinha Apolo. Ele descansou. Marquinhos me contou a notícia e eu não reagi, não chorei. Por uns minutos fiquei em transe. Deitei e só depois chorei, senti a dor aumentar e dormi. Pensei que poderia ser um pesadelo. Acordei e fui na varanda, não tinha nada. Não vai ter latidos quando eu chegar em casa, não vai ter choro de ciúmes quando Marquinhos ficar comigo no portão, não vai ter um cachorro pidão no domingo de manhã pedindo pão na janela. Ele se foi.  Obrigada pelas memórias, Apolo. Esteja em paz. Amo você! ♥




Sou estiloso:


- Lola, chega de chorar e chega de fotos! São 6:30 da manhã ¬¬